Chega de hype: o BIM precisa sair da promessa!
- Marcelo Mannrich
- 2 de jul. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: há 5 dias

BIM além da promessa: entre a expectativa e a realidade da implantação
Depois de alguns artigos falando sobre a formação de arquitetos e os impactos reais do BIM no dia a dia dos escritórios, chegou a hora de encarar um ponto sensível: por que, mesmo depois de tantos anos, o BIM ainda parece não ter “acontecido” com força no mercado?
Não é por falta de divulgação. Nem por ausência de interesse. Muito menos por falta de profissionais dispostos a aprender.
O que falta, muitas vezes, é estrutura, padronização e maturidade nas pontas do processo — tanto por parte dos escritórios, quanto das empresas de engenharia e das próprias construtoras e incorporadoras que desejam implantar o BIM.

BIM exige mais que vontade — exige preparo
O que vemos com frequência é um descompasso:
Escritórios com conhecimento fragmentado em BIM.
Equipes com níveis muito distintos de maturidade técnica.
Construtoras que querem implantar processos digitais, mas ainda operam com lógicas analógicas.
Expectativas desalinhadas sobre o que de fato o BIM entrega (e quando).
Não é raro ver equipes de arquitetura produzindo modelos em Revit ou em outros programas, enquanto o restante do processo segue como sempre foi: memorial descritivo no Word, orçamento no Excel, cronograma em Gantt estático e compatibilização “no olho”.

O desafio da padronização
BIM é processo. E processo precisa de padrão. Mas cada empresa cria o seu modelo próprio, seu nível de detalhamento, seu “jeito de organizar famílias”, seus templates e fluxos. Quando esse material chega nas mãos de uma construtora, é comum ouvir:
| “Legal esse modelo… mas não conseguimos usar.”
É nesse ponto que o BIM começa a ruir. Não por falha técnica, mas por incompatibilidade de maturidade entre os agentes.
A ilusão da promessa fácil
Durante anos, o BIM foi vendido como uma solução quase mágica. Mas a realidade mostrou que:
A curva de aprendizado é longa.
Os softwares são caros e complexos.
E a produtividade, no início, despenca antes de crescer.
Em outros mercados, a transformação digital se deu quando as ferramentas facilitaram o dia a dia, não quando exigiram que todos virassem especialistas. SketchUp, Lumion e Eberick democratizaram seus usos justamente por isso: resolveram dores com simplicidade.
No BIM, o que vemos é o contrário: uma fragmentação de plugins, extensões, processos parciais e uma constante sensação de que falta “um pedaço” — um dado que não exporta, um modelo que não abre, um IFC que não conversa com o orçamento.

O que precisa mudar?
Alinhamento entre expectativa e entrega. Nem todo modelo é um "as built". Nem todo cliente quer ou sabe o que pedir.
Educação continuada realista. Cursos, treinamentos e mentoria que preparem as equipes para a prática, e não só para certificações.
Simplificação do processo. O BIM precisa ser útil mesmo para quem não modela. A informação tem que fluir com clareza.
Apoio institucional com escuta. Iniciativas públicas que incentivem o BIM devem considerar os diferentes níveis de maturidade das empresas e regiões.
Conclusão: Menos hype, mais consistência
Aqui no escritório, continuamos acreditando no BIM. Mas aprendemos, na prática, que a tecnologia só se sustenta quando existe clareza no processo, colaboração real entre disciplinas e humildade para reconhecer que ninguém domina tudo.
Enquanto o mercado não encarar o BIM como um sistema de gestão da construção (e não apenas como software), vamos seguir vendo mais slides de seminário do que obras entregues com qualidade e controle.
Em tempo...
Com base nas reflexões que compartilhei aqui nos últimos três artigos, estou reunindo ideias, experiências e cases para um e-book prático sobre BIM no cotidiano dos escritórios e obras reais.
A proposta é simples: falar menos da promessa e mais da prática. Mostrar os bastidores, os erros, os ajustes — e os caminhos possíveis para uma implantação mais equilibrada, especialmente para escritórios e construtoras de pequeno e médio porte.



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