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Formado, mas não preparado!

  • Foto do escritor: Marcelo Mannrich
    Marcelo Mannrich
  • 14 de abr. de 2025
  • 3 min de leitura
MANNZ ARQUITETOS ASSOCIADOS
MANNZ ARQUITETOS ASSOCIADOS

Por que ainda é tão difícil encontrar arquitetos preparados para o BIM?


 Sou arquiteto, dono de escritório, e como muitos colegas que atuam na linha de frente dos projetos, vivo um desafio que tem se tornado cada vez mais evidente: encontrar profissionais recém-formados com preparo real em BIM.


Não estou falando só do domínio de um software como o Revit ou o Archicad, por exemplo. Muita gente já chega sabendo o básico dessas ferramentas. O que falta — e muito — é entendimento de processo, de fluxo de projeto, de compatibilização e da gestão envolvida nesse novo modelo de trabalho. O BIM é muito mais que um programa. É uma mudança de mentalidade, de cultura, de como a arquitetura se relaciona com todas as etapas de um edifício.


Recebemos currículos de profissionais de várias partes do Brasil — arquitetos de São Paulo, Curitiba, João Pessoa, Porto Alegre, Rio de Janeiro — e é curioso perceber que mesmo os que têm familiaridade com a ferramenta ainda apresentam dificuldade em se integrar a uma rotina de projeto colaborativo, com entregas coordenadas, revisões em tempo real, e decisões baseadas em dados.


A pergunta que fica: por que a maioria das faculdades ainda não ensina BIM com a profundidade necessária?


Como egresso da FURB, me pergunto constantemente por que a nossa universidade, localizada bem no meio de um dos maiores polos tecnológicos do país — Blumenau, Joinville, Florianópolis, Jaraguá — ainda não assumiu um protagonismo na formação de arquitetos preparados para o mundo real do BIM. Não sei querem, mas fica minha sugestão.


A FURB tem uma estrutura sólida, professores comprometidos e uma história respeitável. Mas, já não estamos mais entre os destaques. O mundo mudou, o mercado mudou, mas a estrutura curricular ainda parece a mesma de 25 anos atrás. Isso precisa mudar.


Hoje, o BIM é um divisor de águas. Quem sabe trabalhar com ele tem muito mais oportunidades, consegue se integrar a grandes equipes, atuar remotamente e competir de igual para igual no Brasil e fora dele. Agora imagine o impacto que uma formação sólida e específica em BIM poderia ter na cidade  e na região. Não apenas ensinar software, mas criar um núcleo focado em processo, gestão, coordenação de projetos e integração com engenharia, sustentabilidade, orçamento e operação. Um BIM de verdade.


Com isso, Blumenau poderia se tornar um polo nacional de referência, atraindo estudantes do país inteiro, promovendo eventos, parcerias com empresas e se reposicionando em um cenário onde a educação em arquitetura anda perdendo fôlego. A gente não precisa reinventar a roda — só precisamos conectar o que já existe com o que o mercado realmente está pedindo.


A formação do arquiteto do futuro passa pelo domínio de ferramentas, sim, mas principalmente pela compreensão dos processos. BIM não é só fazer um 3D bonito. É entender como um erro na fase de projeto pode virar um prejuízo enorme lá na frente. É pensar junto com engenheiros, orçamentistas, incorporadores. É fazer mais e errar menos.


O que me entristece é ver profissionais talentosos saindo da faculdade sem essa base, precisando investir tempo e dinheiro em cursos paralelos para, só então, conseguirem se encaixar no mercado. Se a universidade cumprisse esse papel com mais consciência, todo mundo ganhava — os alunos, o mercado e a própria instituição, que voltaria a se destacar.


Existe um lema que gosto muito: “Ordo ab Chao” – a ordem nasce do caos. Talvez este seja o momento de abraçar essa máxima. A bagunça entre teoria e prática está aí. Cabe a nós, enquanto parte dessa cadeia, propor soluções. E reformular o ensino com foco em BIM é um caminho possível e urgente.

 
 
 

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